Poeta do mês – Fevereiro

David Mourão-Ferreira nasceu em Lisboa em 24 de Fevereiro de 1927 e faleceu na mesma cidade em 16 de Junho de 1996. Filho de David Ferreira colaborador da Seara Nova e secretário do diretor da Biblioteca Nacional, Jaime Cortesão. Frequenta o Colégio Moderno e licencia-se em 1951, na Faculdade de Letras de Lisboa, em Filologia Românica.

Publica os seus primeiros poemas na Seara Nova e adere ao MUD Juvenil, movimento de resistência à ditadura salazarista.

Em 1950, publica o seu primeiro livro de poesia Secreta Viagem.
Autor multifacetado, escreve, ainda, teatro – sobe mesmo ao palco como ator – crítica literária, ficção e fados para Amália Rodrigues.

Foi, também, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e teve ampla colaboração no jornalismo.

Exerceu funções como Secretário de Estado da cultura, dirigiu a Revista colóquio/Letras e foi Diretor do Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Calouste Gulbenkian.

 

 Ternura
 
 Desvio dos teus ombros o lençol
 Que é feito de ternura amarrotada,
 Da frescura que vem depois do sol,
 Quando depois do sol não vem mais nada...
  
 Olho a roupa no chão: que tempestade!
 Há restos de ternura pelo meio,
 Como vultos perdidos na cidade
 Onde uma tempestade sobre veio.
  
 Começas a vestir-te, lentamente,
 E é ternura também que vou vestindo
 Para enfrentar lá fora a gente
 Que da nossa ternura anda sorrindo
  
 Mas ninguém sonha a pressa com que nós
 a despimos quando estamos sós! 

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