Criar, Ler e Ilustrar…! 

A minha flor

Eu vou ao jardim encontrar uma flor.
Uma recordação para a minha vida, a minha harmoniosa vida!
O jardim era da minha avó, que saudade... ela agora é uma estrelinha brilhante no céu, mas o jardim mantém-se vivo.
Abri o portão, que já estava estragado, e não precisava da chave da avó.
Encontrei uma rosa, mas não era a flor que eu queria. Depois uma túlipa. Não! Não é a florzinha do meu sonho.
De seguida, a bruma, muita bruma, surgiu sobre o jardim e continuei à procura da flor especial.
Encontrei um «c, c». Ai! Já não me lembro do nome. Que pena!
Mas a minha avó saberia dizer-me.
Diria: «a flor da liberdade: não à ditadura, sim à igualdade”.
Ah! Já sei, é o cravo! Sim, é.
E do nada começa a sair uma música da janela da avó.
Ah! É um rádio antigo. Ainda funciona?
A música soava assim: «Grândola Vila Morena...».
Eu não sabia a canção de cor, por isso cantei apenas o refrão.
«Grândola Vila Morena …. Nanana».
A minha avó amava essa música, mas não era apenas a melodia que tocava. Ouviam-se barulhos estranhos.
Esperem! Oh! Não!! É hoje que vão destruir a casa da minha avó. Tenho de pegar na flor e fugir daqui, mas a minha avó dizia sempre assim:
«O jardim é sempre uma grande flor e esta flor vai fazer-te feliz».
Não se preocupe avó, eu não vou deixar destruí-lo…!

Polina Radiviola, Escola Básica Luís de Camões, Turma 4ºBB
Desenho-A-minha-flor

O sopro da democracia

Adivinhem quem eu sou! Não sabem? Pronto, pronto, eu sou o Vento. Vamos passear pelo mundo! Apertem os cintos e vamos para a viagem…
Vou-vos contar um segredo, “eu sou espião e espio o mundo”. Vamos à Europa. Que país escolhemos? Pode ser Portugal. Vamos lá!
Finalmente chegamos. Oh não! Está tudo escuro, parece que tem um manto preto por cima de Portugal. Vamos entrar lá para ver o que se passa…
Entramos e só víamos pessoas tristes, pareciam sem alma! O que fazemos? Talvez possa soprar para tirar este manto negro de cima de Portugal. Soprei o mais que pude, mas não consegui, parecia que estava colado.
Entramos em Portugal de novo, mas desta vez era para ver o que as pessoas faziam. Todas tinham fita cola na boca para não falarem, os jornais vinham todos cortados, quando escreviam um livro, um “lápis azul” riscava e só eram publicadas algumas partes…
Voltei a tentar soprar para tirar o manto preto de cima de Portugal, mas não consegui. Eu estava triste! Pensei que só o tempo poderia ajudar, pensei que um dia mudasse tudo… Então, esperei por esse dia porque sempre me disseram que há um tempo para tudo.
Certa manhã, bem cedinho, ouvi uma música a tocar! Pensei que estava a sonhar! Essa música vinha de dentro das casas e em todos os rádios se ouvia “Grândola Vila Morena”.
Corri cidades, vilas, aldeias, todas as ruas e comecei a ver militares a marchar, vi tanques e armas nas mãos. “O que se passa neste país?”, perguntei a mim mesmo. 
Parei no norte, numa cidade de nome Vila Nova de Famalicão, e decidi bater à porta de uma casa que ficava perto da Câmara Municipal e onde se avistava também um grande palacete de cor verde. 
Truz, truz, truz…
Ninguém me respondia, lá dentro as pessoas cheias de medo escondiam-se.
Resolvi alegrar um pouco esta vila. Soprei, soprei e espalhei cravos vermelhos pelo ar. Acreditem ou não, estas lindas flores entraram nas espingardas dos militares, nos tanques, nas casas… em todo o lado.
“Ajudem-me, ajudem-me!”, pedi eu a toda gente. 
“Uaauuuuu estamos a conseguir tirar este manto preto! Olhem ali! As pessoas estão a tirar a fita cola da boca e a atirar cravos com uma expressão de alegria estampada no rosto!”
A união faz a força e com a ajuda de todos conseguimos arrancar aquele manto negro de opressão e passamos a viver alegres, livres, felizes e onde se começou a respirar liberdade, justiça e igualdade.
Mais uma missão cumprida! Vou voltar a viajar pelo mundo e quem sabe ajudar outro país a viver em LIBERDADE…

Escola Básica Luís de Camões
Turma 4BB

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